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Publicado em 28/06/2018 à 02:06:35
Por: Camila Costa da Cunha
Auriculoterapia para o SUS
Curso coordenado pela UFSC treina 5,6 mil profissionais para aplicar esse método em pacientes do Sistema Único de Saúde

 Em 2006 o SUS (Sistema Único de Saúde) passou a incluir acupuntura, meditação, fitoterapia, homeopatia e plantas medicinais entre as possibilidades e habilidades terapêuticas à disposição dos pacientes, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Entretanto, ainda é reduzido o número de profissionais habilitados a aplicá-las nas unidades de atenção básica à saúde. Um curso de abrangência nacional inédita, coordenado pela UFSC, se propõe a fortalecer o uso de uma dessas alternativas: a auriculoterapia, técnica ligada à acupuntura que consiste na estimulação em pontos da orelha com agulhas ou sementes vegetais esféricas.

 “Estamos treinando 5.600 profissionais de saúde no uso desse método terapêutico que é de baixíssimo risco, de aprendizado relativamente simples e tem ampla utilização em uma série de patologias”, explica o coordenador do projeto, Lúcio José Botelho, professor do Departamento de Saúde Pública e ex-reitor da UFSC. Com orçamento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, viabilizados por intermédio da Fapeu, o projeto teve início em abril de 2015. A primeira edição do curso semipresencial começou em julho de 2016 e a terceira tem término previsto para setembro de 2017.

 O projeto envolve 24 participantes, entre professores, estudantes de pós- -graduação e profissionais das PICs (Prá ticas Integrativas e Complementares) vinculados à UFSC ou à Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. Botelho lembra que a iniciativa se insere em um contexto de progressiva revalorização das terapias complementares, que foram institucionalizadas há uma década, mas não receberam suporte financeiro suficiente para expandir sua oferta no SUS.

Prática milenar

 A auriculoterapia já era mencionada em antigos documentos das dinastias chinesas Han, Tang e Ming. Um estudo científico francês publicado em 1947 a partir da observação de povos do mediterrâneo menciona o uso de pequenas cauterizações na orelha para tratar enfermidades. A partir da década de 1980 houve grandes progressos no desenvolvimento da técnica, sobretudo na China. Agulhas ou sementes estimulam mais de 200 pontos da orelha que funcionam como receptores de mudanças fisiológicas em todo o corpo.
Nos últimos anos a auriculoterapia se desenvolveu bastante, em especial quando o paciente precisa dar continuidade ao tratamento em casa, pois assim pode aplicar ele mesmo a pressão sobre as sementes nos pontos indicados pelo profissional de saúde. A prática apresenta bons resultados para tratar ansiedade, distúrbios do sono, dores musculares e tabagismo, entre outras enfermidades. Também auxilia técnicas terapêuticas para pressão alta, diabetes e problemas renais.

 O curso é ministrado em 75 horas- -aula teóricas na modalide de EaD (ensino a distância), mais cinco horas práticas presenciais nos locais onde estão os alunos. Na primeira edição, foram formados cerca de mil profissionais em São Paulo, Rio de Janeiro, Angra do Reis (RJ), Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Recife e Campinas (SP). A segunda edição abrangeu alunos de Belo Horizonte, Chapecó, Natal, São Luís, Cuiabá, Campinas e São Paulo. A terceira abrange profissionais de Vitória, Salvador, Campo Grande, Rio de Janeiro e Florianópolis.

 Depois do encerramento do curso, o próximo passo será a implantação de cinco centros irradiadores da técnica, para promover a educação continuada e partir para outras técnicas, como acupuntura. Botelho explica que a ideia é fazer o acompanhamento sobre a redução do uso de medicamentos que, se usados em longo prazo, podem trazer consequências indesejáveis aos pacientes.

 

 

 

 

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